terça-feira, 28 de agosto de 2012

Se você não gosta de koans não gosta da vida.



A conversa abaixo deu-se em uma entrevista durante retiro na Noroega:
O professor era Mestre Zen Wu Bong.


Aluno: Não gosto de koans. Por isso venho pouco às entrevistas. Você pode me dizer alguma coisa sobre isso?

MZWB: Koan não é nada especial. Cada situação do seu cotidiano também é um koan. Se vc. não gosta de koans, vc. não gosta da vida. 

Então deixe de lado "gosto e não gosto". Quando o koan aparecer, apenas responda. Se a resposta correta não aparecer, volte para "mente que não sabe". No seu dia-a-dia é o mesmo. Se alguma situação não está clara para vc., volte para a "mente que não sabe".


Aluno: Obrigado.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Onde posso Estudar Koans no Brasil?

A reposta é muito simples. - Não pode. 


Porque não temos professores que ensinam nesse estilo residindo no Brasil. Então quem quiser estudar koans terá que ir para fora do país, como tenho feito há alguns anos.
O estudo dos koans na Escola Kwan Um  só é possível através de um mestre autorizado a ensinar koans.

Quando as pessoas me procuram para saber como estudar koans elas descobrem que eu sendo uma aluna e não uma Mestra não posso ensinar  koans. Posso falar sobre o que li mas não posso "bater koans" com as pessoas porque só um mestre que recebeu a Inka e passou pelo treinamento de entrevistas com koans pode faze-lo. Isso pode ser frustrante, a primeira vista, mas é assim que funciona. Faz parte de um processo. não há como pular etapas.
Até para pular corda precisa um certa preparação senão você se enrola e pode se machucar.
 Mas essas pessoas, ao saberem que não será facíl ter acesso aos koans, nunca mais fazem contato.Não que eles sejam secretos. São públicos e estão disponíveis na internet.



Mestre Zen Seung Sahn em entrevista de Koans


Sugiro as pessoas que inciem-se na pratica fazendo as demais atividades: meditação sentada, cantos, prostrações, pois é importante estar praticando formalmente para depois ter a experiência com os koans. 

A pratica não é só "bater koans" nessa Escola. Os koans são apenas parte do processo. São uma ferramenta para trainamento assim como o zazen, os cantos e as prostrações. Todos esses elementos fazem parte da pratica e não se deve dar maior peso a um em detrimento do outro. Assim como a presença ou não de koans na pratica não deveria ser um obstáculo para alguém querer iniciar-se nessa pratica. A pratica formal é importante para dar estabilidade a mente e chegar na frente do mestre para bater koans com ele com firmeza e comprometimento. Bater koans não é uma brincadeira, mas também não precisa levar tão a sério. É como tornar-se um bobo sem sê-lo. A mente que "não sabe" é que bate koans e não a mente racional. Com a mente racional você pode fazer todas as outras coisas do dia a dia menos responder koans.

Quando o professor percebe que há um entusiasmo exagerado em alguma das praticas ele vai puxar o seu tapete para que você volte a realidade de uma pratica equilibrada. 

O que é crença?

Mestre Zen Seung Sahn e MZ  Dae Kwan


Em uma viagem pela Europa na primavera de 1978, Soen Sa Nim deu palestras sobre kong-ans a cada manhã para um pequeno grupo de estudantes que viajavam com ele. Em Berlim Ocidente, Diana Clark teve está conversa com Soen Sa Nim


Diana (D): Eu gostaria que o senhor falasse um pouco mais sobre crença. O que é crença?
Soen Sa Nim (SS): Quantas mãos vc. tem?

D: Duas.
SS: Quantos dedos vc. tem?

D: Dez.
SS: Como vc. os usa?

(Diana bate palmas) 

SS: Correto. Isso é crença. Eu tenho dedos, eu tenho mãos- sem pensamentos. Somente ação. Minhas mãos e eu nos tornamos um com todos; não há pensamentos. Vc. acredita em seus olhos? Como? (rindo)
 Que cor é aquela?

 D: Branco.
SS: Branco. Isso é crença.

D: Ok. Eu entendi isso. Mas o senhor diz que devemos acreditar em nós mesmos 100%, ou se nós não acreditamos em nós 100% como vamos acreditar em Buda, ou numa árvore, ou no nosso professor, ou em alguma coisa. Então é assim, ok. Como eu posso fazer isso? Eu acho que vc. não pode simplesmente tomar a decisão de acreditar. Eu sei o que é o branco pq. eu vejo que é branco. Eu sei que eu posso acreditar em Buda, mas... Eu não estou certa. O que eu posso fazer para não ser muito insegura na minha crença? 

 SS: Vc. quer acreditar em alguma coisa, isso já é um erro. Então, ponha tudo de lado e a verdadeira crença aparecerá por si mesma. Muito simples. A mente que quer alguma coisa não pode acreditar em nada. Jogue fora está mente que quer. Tente!

D: Tentar o quê? Podemos tentar acreditar? 

SS: Não! Não! Eu não disse tente acreditar. Apenas tente. "Apenas tente" significa somente ir confiante sem saber, eu não sei o que significam aquelas suas ideias sobre esse mundo desaparecer. Quando as suas ideias desaparecerem, então, vc. e esse mundo se tornam um. Assim, na verdade, crença não tem “acreditar em algo ou não acreditar em algo” .
Esta é a mente una, "a mente que tenta", ir confiante, é "a mente que não sabe" e a mente que põe tudo de lado.
Mas muitas pessoas se prendem aos seus pensamentos: “ O que ele pensa sobre mim? Eu penso isso sobre ele.”
Se prender a isso cria oposições onde originalmente não havia problema.

D: Obrigada. Eu percebi que “fazer acreditar” e “tentar acreditar é errado”. 

SS: Acreditar é apenas uma um palavra para ensinar. Não se apegue às palavras, ok?

D: Ok. Muito obrigada.

(Tradução minha)

Mestre Zen Seung Sahn [Revista Primary Point]

Originais da Bússola do Zen



Um amostra do original do livro Compasso do Zen (The Compass of Zen) do MZ Seung Sahn.

E outro do livro dado aos que recebem 10 preceitos; The Dharma Mirror.
Atualmente eles recebam uma cópia digitalizada.

Mais originais aqui


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Costurando Zafus

Levei alguns meses estudando: O melhor tecido, moldes, como costurar. Algo que parecia ora simples ora complicado foi se desenhando a cada passo. Estava tudo pronto: o tecido ideal, os moldes mas faltava coragem de costurar. E se não desse certo? Enfim a coragem veio a conta gotas, mas veio e costurei o primeiro zafu. Ainda não ficou do jeito que queria mas já dá para ter uma ideia do que melhorar nos próximos. Aprender é assim, exige treino. Você faz e falta alguma coisa. Continua fazendo até ficar bom, porque nem penso que fique perfeito. Só penso que se for fazer disso uma fonte de renda ai sim terei que dar um acabamento melhor, mas se for para uso interno: em casa ou em grupos daqui a pouco vou ter algumas almofadas disponíveis para chamar alguém para sentar comigo. Ai, vem o segundo porém. Onde?

Um dos maiores problemas em se iniciar um grupo não é nem querer ou poder, mas achar um lugar e convencer as pessoas a ajudar a custear os gastos, caso seja necessário alugar uma sala. Mas as coisas vão se arranjando aos poucos. Alguém pode ter um lugar para emprestar. Podemos nos associar com alguém do karatê, aikido, yôga, etc.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Formas Diferentes de Pratica são como Flocos de Neve.

Quando estive em retiro no Mosteiro de Wong Kwang Sa, no interior da Hungria,no final do inverno, fez pouco frio nesse período. Um dia nevou bem fininho. Os flocos pousavam no meu casaco preto.Pude observar a forma do floco. Um deles era assim como o do desenho ao lado. Depois nevou mais e os flocos eram bolinhas de gelo. Fiquei intrigada.  Então quando neva pouco são plumas, quando neva bastante são bolinhas? Sei lá, nunca tinha reparado nesse detalhe. Em WKS fazemos a pratica no mosteiro, refeições, banho, etc, mas dormimos em uma casa há 300 m do mosteiro. Em Providence Zen Center tudo é feito no mosteiro sem necessidade de sair para fora do prédio principal. Pessoalmente gosto mais do fazer todas as praticas no mesmo lugar. Ambas situações exigem adaptação.

Formas diferentes de pratica são como flocos de neve. Há milhares de formas de flocos e há muitas formas de pratica. Cada lugar adota a forma que precisa para que a pratica seja possível para todos. A cada um cabe apenas seguir a forma sem questionar se essa é melhor ou aquela outra. Comparações surgem na mente apegada. O "gosto" "não gosto" faz parte, mas com o tempo aprendemos a nem gostar nem desgostar: