quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Retiros Escola Zen Kwan Um


Na Escola Zen Kwan Um temos o Grande Retiro de Inverno que acontece durante 90 dias (janeiro-abril). E o Retiro de Verão 30-90 dias (junho-agosto/set).
Nele é aceito a permanência de no mínimo uma semana ao longo desses 90 dias. Se vc. vai pra USA providencie o visto com antecedência. Já para Europa ou Asia (Coreia do Sul) não é necessário visto.

Mosteiros que realizam Winter Kyol Che:


Providenze Zen Center,USA
Won Kwang Sa, Hungria

O retiro de inverno no Mosteiro de Mu Sang Sa, na Coreia do Sul começa em novembro e vai até fevereiro.

Depois durante o ano segue-se outro grande retiro de verão. Summer Kyol Che

 Pode ser feito em Providence Zen Center, USA, Won Kwang Sa, Hungria. Varsóvia, Polônia e Mu Sang Sa, Coreia do Sul. Geralmente entre junho-agosto ou setembro.

domingo, 14 de novembro de 2010

Como Fazer um Zafu.



Quando fiz esse vídeo ainda não havia feito meu zafu, pois não tinha os materiais e nem máquina de costura boa.. Essas medidas são tradução do inglês para um zafu médio. Se o vídeo ainda não está claro fiz um esquema abaixo.Fiz com círculo de 35cm mas ficou pequeno. Então sugiro que faça com círculo de 40 cm.






Corte uma faixa de tecido com altura de 24 cm e comprimento de 1 m 50 cm de largura. Faça 14 pregas  a cada 8 cm. Marque cada prega com o ferro quente e alfinete encima e embaixo a cada prega. Alinhave cada prega superior  com um dos círculos pelo lado avesso do pano e costure. Não precisa tirar os alfinetes pois a máquina passa por cima. Depois repita o mesmo procedimento com o outro círculo na parte inferior da faixa. Deixe uma abertura para o zíper. No vídeo acima as medidas estão um pouco deferentes, mas o zafu que fiz usei essas do desenho.


Este video é o único que encontrei que mostra como fazer a prega, mas está em inglês. Todavia é possível  entender só olhando como faz. Vc. tem que fazer 14 pregas com os alfinetes como mostra no vídeo. Nesse vídeo a pessoa cortou em 14 quadrados e depois alfinetou cada quadrado. Eu não fiz assim, mas talvez fique mais fácil de fazer desse modo. Vou tentar fazer uma almofada também com esse jeito para ver qual dos dois fica melhor.

Tecido: Lonita e sarja são os mais resistentes e duráveis, mas entre os dois a sarja é o tecido mais caro. Também pode ser feito com um poliéster grosso. O enchimento é o item mais problemático. Eu uso paina, mas na falta dela pode-se usar trigo sarraceno. 

Se vc. achou muito complicado o zafu redondo tente um quadrado: largura10 cm, comprimento 12 cm e altura 5 cm descontando cada centimetro deixado para costura fica  8x10x3. Além de mais fácil de fazer é multi-uso. Todavia o zafu tradicional é redondo e preferencialmente preto. Mas se vc. só vai usar em casa e não vai levá-lo em retiros ou em locais de prática como mosteiros e zendos, pode optar por outras cores.




Há também a posibilidade de fazer uma almofada em meia-lua. Se for uma meia lua com linha reta, tb. é facil de fazer. Se for com linha curva (lua crescente) já complica um pouco na hora de pôr o ziper, mas quem sabe costurar dá um jeito.


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Kong An é perceber o som.

A Escola Zen Kwan Um tem como uma das suas ferramentas de ensinamento os koans. Muitos livros sobre o Zen foram traduzidos ao português cujo o conteúdo trazia estudo ou citações de koans. Todavia nenhuma Escola Zen que trabalhasse koans criou raízes no Brasil. As pessoas ficaram com esse dado sobre os koans apenas dos livros, mas não teem a experiência de koans na prática.

Algumas pessoas me perguntam como é o estilo com koans. Não é nada especial. É apenas mais uma ferramenta adicional as práticas já conhecidas do Zen: zazen, kinrin, recitações, prostrações, samu, etc.


Existem várias classes de koans:

1.O koan é o que é: "A parede é branca. O céu é azul." Não adianta divagar sobre a parede, ela é o que é.
2.O kaon é som do mundo.
3.O koan é vc. no lugar do koan. Se vc. fosse a chuva como responderia?
3.O koan é esse momento. Se o mestre pergunta de onde vc. veio. Ele não quer saber se vc. veio do Brasil. Isso ele já sabe.
4.O kaon sem saída. Esses são aparentemente os mais difíceis pq. parecem que não há resposta. Ex. Um koan diz que tem um homem pendurado num galho da árvore pela boca e com as mãos e pés atados nas costas. Ele não pode se mover nem falar sob pena de cair no abismo ou ser alvejado por alguém q. está mirando nele com uma arma. mas lhe fazem uma pergunta. Vc. é esse homem. Se responder morre se não responder morre. Como vc. vai sair dessa?
5. O koan pode ter desdobramentos. Vc. responde várias perguntas num mesmo koan.
Como portais. Atravessa um, tem outro e outro. Ex

5.1.O sol se põe todos os dias. Por que a nuvem o esconde?

5.2.Cada um tem um sombra que o segue. Como não pisar na sua sombra?

5.3.O universo inteiro está pegando fogo. Através de qual samadhi vc. pode escapar de ser queimado nas chamas?

Esta é lista dos 12 portões de koans mais usados na Esc. Zen kwan Um.

Como Responder Koans na Esc Zen Kwan Um:

Existe várias formas de responder koans. A maioria deles são respondidos com mímicas. Quando não vir uma resposta, diz: "Não sei." "Don´t know."
Quando vc. responde mas ainda não é bem a resposta, vai ouvir: "Isso ainda não é o bastante. This is not enought.

Mas antes de qualquer resposta, nesse estilo, é importante bater com uma ou as duas palmas da mão no chão, ou bater palma com palma. Segundo meu mestre de koans me ensinou a batida ativa uma região do cérebro, como se no momento da batida a mente que pensa congelasse por segundos e abrisse a mente que não pensa. Pois o koan só pode ser respondido pela mente que não pensa, pela verdadeira natureza que está obscurecida pela menta pensante. É como se ao bater vc. ligasse sua mente que não sabe e desligasse a mente racional. É como um click no mause. É muito rápido.
O efeito também é surpreendente. Alguns viciam e querem ficar ligando mais vezes. mas ai o mestre percebe e dá um tempo na "brincadeira". Ficou apegado, não tem mais koan.

Às vezes apenas bater no chão já é uma resposta. Lembra, o koan é o som do mundo. A batida tb. é som. "Kwan Um" justamente significa "Perceber o Som." Quem percebe o som pode responder qualquer koan.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mantras-Estilo kwan Um

Um mantra é uma fórmula ou palavra com significado espiritual; entretanto, quando despido do seu significado tântrico implícito eles se tornam silabas sem sentido as quais podem ajudar-nos a desligar (a mente) e relaxar profundamente. A meditação com mantras é muito fácil de aprender e eficaz em deixar ir nosso apego aos pensamentos.

Apenas repetir um mantra ajuda-nos a focar nossa atenção em um único ponto e eventualmente alcançar um estado de profundo repouso.. A pratica regular de meditação pode reduzir nossa irritabilidade e assim o sensação de estar estressado. Mas, o mais importante é que a pratica continuada com o mantra irá reduzir o tempo de busca por todos os tipos de cura para situações de estresse. A pratica com mantra em justaposição com a pratica de prostrações pode ajudar a dissolver o karma rapidamente.

A pratica com mantra precisa ser feita com um firme compromisso pelo aluno ( discípulo), entretanto não deve ser encarada como um tipo de compulsão, essa pratica deve dar-se de forma suave, porém com forte compromisso.

Durante as primeiras semanas de pratica da meditação com mantra alguns alunos tendem a ficar mais sensíveis a eventos que não costumavam incomodá-los.
Essa é uma das razões porque depois de iniciar esse tipo de pratica é importante consultar seu professor para se assegurar da pratica correta e sobre os efeitos dela.

Esta pratica deveria ser mantida por curtos períodos durante o dia nos quais a atenção cognitiva não está sendo requisitada. Por exemplo: ao dirigir, ao comer, ao esperar pelo ônibus. Qualquer momento que não precisemos usar nosso pensamento conceitual poderia ser preenchido com o mantra.

A todo momento pensamentos vão surgir espontâneamente e nós seremos tentados a segui-los (este é nosso padrão normal de hábito) e quando percebemos que nos desviamos da nossa pratica nós podemos gentilmente retornar para ela repetidamente.
Tente não fazer julgamento sobre a pratica. Pensamentos e percepções são simplesmente deixados vir e ir, como simples e isolados eventos.
Durante a pratica você apenas volta para a repetição do mantra novamente sem forçar a si mesmo.

Abaixo alguns mantras mais comuns usadas na nossa pratica com a explicação do significado e o uso de cada um deles.


Mente clara, mente clara, mente clara... Não sei......

Este mantra visa tranquilizar a mente dos muitos pensamentos.


Gaaté, gaté, paragaté, parasamgaté, bodhi svaha

Esse mantra sig. literalmente: “Foi, foi, foi além; opostos desaparecem, absoluto aparece.”

Jijang Bosal

O mantra do Grande Voto: “Eu me comprometo em salvar todos os seres”; Ajuda na morte e no sofrimento.

Kwanseum Bosal

O Mantra do Grande Amor e da Compaixão, com o qual, quem o invoca, remove todos os tipos de sofrimento.

Namu Amita Bul

O Mantra da Terra Pura. Usado para invocar o Paraíso Ocidental do Buda Amitaba.


Namu–bo–bo–jeoli–kali–dali–tata–adaya

Esse mantra é usado para chamar todos os Budas das Dez Direções.

Namu–chilguji–bul–modae–junje–bosal

Este mantra invoca o Grande Amor e a Grande Compaixão da mente de mãe,toda vez que houver um problema. Se vc. faz esse mantra o problema irá desaparecer.

Namu–de–bang–kwang–bul–hwa–um–gyung
Buda ensinou que esse mundo é completo, mas é nossa mente que não está completa. Então este mantra ajuda nossa mente a ficar completa e forte.


Namu Sogamuni Bul

Esse mantra é por Śākyamuni Buda é feito para salvar todos os seres do sofrimento.

Om
Esse é o mantra universal da verdade. Cantar esse mantra dissolve qualquer coisa.

Om–aranam–arada

Esse é o mantra que abre o Verdadeiro Dharma de Buda. Ele ajuda a perceber a verdade de cada momento.

Om–aridara–sabaha

Isso literalmente sig. olhar correto, ouvir correto, falar correto. Se vc. tem problema para ver claramente, ou ouvir claramente ou falar claramente, esse mantra vai ajuda-lo.

Om–ba–ara–mil

O mantra da Terra Pura que pode ajudar vc. a renascer no Paraíso da Terra Pura.

Om–ba–ara–minaya–sabaha

Esse mantra é usado para “limpar” todo o cosmos, quando sua vida parecer nublada ou escura, ele irá limpar toda a escuridão e trazer de volta a o brilho da luz.

Om–ba–ara–tobiya–hum

Quando a mente estiver divagando muito esse mantra vai ajudar a abri-la.

Om–biro–gije–sabaha
Esse mantra remove todo o seu carma e ajuda-o a ver a verdade e agir apropriadamente.


Om–chi–lim

Esse mantra serve para proteger o corpo de energias negativas.
Usado quando se há uma doença ou para restaurar a energia.

Om–gara–jiya–sabaha

Esse mantra rompe os portões do inferno e abre as portas do Nirvana.


Om–horo–horo–saya–moke–sabaha

Esse é um mantra extra (como um botão extra da camisa). È usado como uma medida preventiva quando as coisas não estão indo bem.


Om–maro–ruke–sabaha
Esse é outro mantra para dissolver seu karma e assim ajuda-lo a fazer mudanças em sua vida.

Om–nam

Esse é um mantra para purificar a energia de um lugar que parece ter um karma ruim.

Om–salba–motcha–moji–sadaya–sabaha

Esse é o mantra universal do arrependimento.
É usado para ajudar a ver uma correta ou incorreta situação.


Suri–suri–maha–suri–su–suri–sabaha


Esse mantra é para limpar sua boca-como dizia sua mãe quando vc. era criança- ele pode livra-lo da fala incorreta e desejos incontroláveis.


Texto Original
Paul Lynch,JDPSN.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Explorando Koans Zen

Quando os alunos se deparam pela primeira vez com o estudo do Koan, a dificuldade mais frequente que eles expressam é a qualidade ininteligível dos Koans e a perplexidade que ocorre como resultado da interação direta do aluno com os Koan, e o fato dele prevenir seus egos de triunfar. - "Eu sou tão idiota, isso me faz sentir um tolo!"
Há também a percepção de que os Koans são ilógicos - especialmente quando se referem aos mais antigos e tradicionais. Muito além disso, o Koan Zen pode ser visto como lógica budista, os quais são muito mais baseados na experiência que na filosofia ocidental. - Apenas "O QUE É ISSO?"

A resistência psicológica é naturalmente muito humana, e certamente não peculiar aos alunos ocidentais. Dependendo da herança cultural, socialização, diferentes culturas irão manifestar estas dificuldades, ressentimentos, e aflições em diferentes níveis. - A inabilidade para apenas conseguir dizer: " Não sei!". Assim, ao invés do Koan ser uma ferramenta para a liberação, ele se torna ainda mais um obstáculo na vida e na prática.

Koans Zen deveriam ser vistos como exercícios, pelos quais nós treinamos a mente para transcender nossas preferências subjetivas, ideias adquiridas e concepções do mundo, e quem somos, nos habilitando a chegar no começo do direto despertar para a realidade- atendo-se ao "O QUE É!".

Outro aspecto expressado com frequência é que a leitura dos Koans é bastante chata. A leitura dos Koans é essencial. No entanto, a menos que façamos isso combinando sustentada meditação, acompanhamento de um professor confiável, os Koans, por si só, são meramente palavras mortas colhidas em árvores mortas.
Uma combinação de meditação sentada diária, acompanhamento regular, leitura e estudo dos Koans, comparecimento a retiros, isso tudo em conjunto com entrevistas privadas com um professor treinado na prática dos koans é essencial se quisermos usar este método de prática para liberar a mente da ilusão e dos padrões habituais que afligem nossas vidas diariamente.

Outro aspecto expressado é: "Eu não entendo Koans, eles não fazem nenhum sentido!" Não há nenhum outro caminho para compreender ou entender Koans se não ir através deles. Você apenas se funde a ele, se torna UM com o Koan. Koans têm a habilidade de abrir o discernimento intelectual, mas conhecimento intelectual por si só não irá abrir seu discernimento para os Koans.

Quanto mais nós avançamos e nos liberamos das barreiras que nos afligem, mais nós entendemos que os Koans são o mais sofisticado dispositivo do Zen, usado para habilitar tanto iniciantes quanto alunos experientes a alcançar a alegria de ser - verdadeira liberação e despertar. Dae Seung Sa Sunim frequentemente diz: "Quanto mais idiotas, menos necessidade de pensar!"

Koans tradicionais como: A Porta Sem Porta (The Gateless Gate),O Registro do Penhasco Azul (The Blue Cliff Record), e Todo Mundo é uma Única Flor (The Whole World is a Single Flower, 365 Koans), para citar alguns, são os pilares da prática zen. Isto é essencial, no entanto, os que nós usamos hoje são Koans mais dinâmicos, baseados no cotidiano.
Quando trabalhamos em um Koan tradicional como: "Um cão tem natureza de Buda?" ou "Qual o som de uma única mão batendo palma?", nós continuamente trazemos o Koan para nossa mente durante o dia, não de uma forma monótona e mecânica.
Isso nos habilita todo momento a dedicar e desenvolver uma profunda dimensão de atenção e consciência resultando num contínuo e sustentado estado de presença, independente de nossos pensamentos e nossa consciência estarem calmos ou agitados. Para o Koan nada é secreto ou oculto. Koans são ferramentas para nos ajudar a abrir nosso potencial humano para o despertar. Assim o mais importantes koans dentre todos são: "O QUE É ISSO?" e "COMO EU VIVO MINHA VIDA?"

Por Heila Downey, JPSN in Shuza, Newsletter.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Apenas vá em Frente. Não Saiba.

São muitas palavras ensinando neste livro. Há palavras Hinayana, Mahayana e Zen. Há palavras budistas e cristãs. Usamos palavras em inglês, em coreano, em chinês e em japonês - palavras demais! Mas todas elas são necessárias. Palavras e discurso são apenas pensamento, e pensamento causa sofrimento. Você deve jogá-las todas no lixo! E a razão disso é que a nossa verdadeira natureza não depende de entendimento. É por isso que ensino apenas o "não saber." Esse ensinamento não possuí nem Ocidente nem Oriente, nem coreano, nem japonês, ou americano. O "não saber" não é nem budista, nem cristão, nem Zen, nem coisa nenhuma.

Há vários anos, após ter ensinado no Ocidente por algum tempo, alguns de meus alunos americanos estavam reunidos para discutir o uso de certas formas de práticas na Escola Zen Kwan Um. Durante a reunião, uma das alunas perguntou: "Se tudo é Um, porque é que eu tenho que ensinar budismo à maneira asiática, ou estilo Mahayana, ou Zen. Isso não cria 'mesmo' e 'diferente'?" -Questionou ela. Pergunta muito interessante.

Eu respondi: "É, eu não ensino coreano, nem Mahayana, nem Zen. Eu nem mesmo ensino budismo. Eu ensino apenas o "não saber". Cinquenta anos aqui e ali, ensinando apenas o não saber. Portanto, apenas não saiba, certo? Apeanas não saiba, sempre e em todo lugar. A sua mente "não-sei" pode fazer qualquer coisa.

Pois bem, falamos bastante sobre Budismo Hynayana, Budismo Mahayana e Zen. Vimos como cada um deles possuí diferentes técnicas de meditação e estilos de ensino. Mas, embora o discurso e as palavras tenham sido diferentes, a espinha dorsal dos ensinamentos é sempre a mesma: Como é que podemos acordar e ajudar esse mundo, neste exato momento? Não importa qual a tradição, o objetivo de qualquer prática de meditação é ajudar todos os seres sencientes a se liberarem do sofrimento. Meditação não tem nada a ver com fazer algo especial. Nada a ver com alcançar uma experiência pacificadora, de quietude e bem-aventurança. Claro que é possível experimentarmos isso algumas vezes durante a meditação. Mas, quem é você? Quando nasceu, de onde veio? Quando morrer, para onde irá? Você pode me dizer?

A grande maioria dos seres humanos não consegue responder a essas perguntas básicas. Ao contrário, gastam toda a sua energia ocupando-se com desejos, raiva, e ignorância. Dia após dia, desesperam-se por coisas impermanentes; apegam-se a bens, fama e sentimentos e depois sofrem quando tais coisas mudam ou desaparecem. Criam o sofrimento e depois guardam-no como se fosse um precioso tesouro. Seres humanos deveriam ser os mais elevados entre os animais. No entanto, passam a vida a vagar e vagar no oceano do sofrimento. Esse não é o caminho correto dos seres humanos.

Assim, se você não controlar o seu carma, não conseguirá fazer nada nesta vida. Depois, quando morrer - quando o seu corpo desaparecer o que poderá fazer? A força do seu carma o arrastará para algum lugar qualquer. Aonde irá, você não faz idéia. Talvez você renasça em um lugar de sofrimento, ou tenha muitos problemas com o seu corpo. Somente se você cortar completamente todo o pensamento poderá retornar a sua natureza original, a qual está além da vida e da morte. O nome desse ponto é "não-saber". É muito importante alcançar isso e, depois, ajudar esse mundo. Aí então, vida e morte não mais poderão tocá-lo. É por isso que a meditação é tão importante.

[...] Se você mantiver cem por cento uma mente "não-sei", os seus demônios não poderão encontrá-lo. O sofrimento não o encontrará. O carma, os problemas, a vida, a morte, o ir e vir, o bem e o mal - nada o afetará se você apenas mantiver uma mente "não-sei". Essa mente "não-sei" é o seu maior tesouro; ela pode fazer qualquer coisa. Ela não depende de Deus, nem Buda, nem Hynayana, Mahayana ou Zen. Ela é independente da vida.

Se você deseja sair do oceano do sofrimento, apenas um tipo de bússola é necessária: a sua bússola do não- saber. Ela está sempre dentro de você. Quando você a utilizar, verá que a sua direção correta sempre aparecerá claramente à sua frente, de momento a momento.

Assim, eu espero que você apenas siga em frente, não saiba, o que é claro como o espaço, e tente, tente, tente por dez mil anos, sem parar - alcançar o
despertar e ajudar a liberar todos os seres.

Texto Extraído do Livro: A Bússola do Zen. Mestre Zen Seung Sahn. Ed. Bodigaya p.387-92.